Palmeiras encontra soluções no ataque, faz 2 x 0 no Athletico mas expulsão de Andreas muda o cenário
- 17/10/2026
O Palmeiras precisou de apenas nove minutos para construir uma vantagem de 2 a 0 sobre o Athletico-PR, na Arena da Baixada. Mais interessante do que a rapidez do placar é a maneira como os gols aconteceram: Maurício apareceu no desfecho de uma jogada trabalhada, enquanto Piquerez ampliou com uma bela cobrança de falta. Foram duas soluções distintas, um indicativo de que o time encontrou caminhos diferentes para ferir o adversário.
O primeiro gol merece atenção justamente pela construção coletiva. Em vez de depender exclusivamente de uma jogada individual ou de uma bola levantada na área, o Palestra trabalhou a jogada até encontrar a oportunidade para Maurício finalizar. Esse tipo de lance evidencia a importância da movimentação, da aproximação entre os setores e da capacidade de encontrar espaços em uma defesa que, naquele momento, ainda tentava se organizar.
Quatro minutos depois, Piquerez apresentou outra arma. A cobrança de falta transformou uma bola parada em oportunidade concreta, ampliando uma vantagem que já obrigava o Athletico a mudar sua postura. A diferença é relevante: se o primeiro gol nasceu da construção com a bola rolando, o segundo mostrou que o Verdão também podia castigar o adversário sem precisar elaborar uma sequência longa de passes.
A escalação ajuda a compreender as alternativas utilizadas. Carlos Miguel começou no gol, protegido por Murilo, Bruno Fuchs e Alexander Barboza. Khellven e Piquerez ocuparam os corredores, enquanto Lucas Evangelista, Andreas Pereira e Maurício formaram o setor intermediário. Na frente, Ramón Sosa e Flaco López completaram o desenho inicial em um 3-5-2, estrutura que oferece amplitude pelos lados e duas referências para atacar a última linha.
Expulsão de Andreas compromete vantagem Alviverde
Mas, o Verdão viu a vantagem ser acompanhada de alerta no final da partida. Isso porque perdeu Andreas Pereira, peça importante no mecanismo tático. Sua participação na saída de bola e na conexão entre meio-campo e ataque era essencial até ser expulso em uma jogada infantil, ao qual tentou tirar uma segunda bola em campo, fato que originou um segundo amarelo e a expulsão da partida. Desta forma, o Palestra voltará para o segundo tempo com o desafio de manter a força com um a menos.
A escolha da escalação inicial também precisa ser observada pelo contexto. Gustavo Gómez e Giay estavam suspensos, Vitor Roque foi desfalque por lesão, e Jhon Arias e Marlon Freitas começaram no banco. Com o confronto decisivo contra o Fluminense pela Libertadores no horizonte, Abel Ferreira apresentou uma formação modificada sem abrir mão de uma estrutura capaz de competir. O início em Curitiba foi uma resposta importante para quem questionava o tamanho das mudanças.
Raio-X do Palmeiras no primeiro tempo
Com dois gols de vantagem tão cedo, o comportamento tático passou a exigir outra leitura. O Palmeiras já não precisava atacar com a mesma urgência de quem procura abrir o placar. Começou a alternar a construção, explorar os espaços deixados pelo avanço adversário e escolher melhor os momentos de acelerar.
O sistema com três zagueiros também ganha importância nesse contexto. Khellven e Piquerez podem avançar pelos corredores, mas precisam calcular o momento de subir para não oferecer espaços às costas. Se o Athletico aumenta a presença ofensiva para diminuir a diferença, a recomposição dos alas e a proteção oferecida pelo trio defensivo tornam-se fundamentais.
A qualidade da atuação depende, portanto, não apenas dos gols marcados, mas da capacidade de sustentar a vantagem. Maurício oferece uma alternativa de aproximação ao ataque. A combinação dos dois permite discutir como a SEP pode construir jogadas sem depender exclusivamente de lançamentos para Flaco López e Sosa.
Os números da temporada ajudam a dimensionar o peso do resultado, embora não devam ser confundidos com as estatísticas específicas desta partida. Antes da rodada, o Palmeiras somava 63 pontos em 30 jogos, com 18 vitórias, nove empates e três derrotas. O Athletico aparecia em terceiro lugar, com 53 pontos. É, portanto, um confronto entre concorrentes da parte de cima da tabela, e não uma partida em que a vantagem pudesse ser tratada como consequência natural da diferença entre as equipes.
Verdão controlando a carga física do elenco
Existe ainda uma questão de gestão do elenco. Com Arias e Marlon Freitas entre as opções no banco e uma decisão continental próxima, a vantagem construída no primeiro tempo abre a possibilidade de controlar a carga física dos titulares. Essa administração, porém, só será realmente bem-sucedida se o Palmeiras mantiver a organização e impedir que o Athletico transforme a necessidade de buscar o resultado em pressão constante. A ausência de Andreas, nesse sentido, será o grande problema do Verdaço a se resolver.
O início em Curitiba reúne, assim, três elementos importantes: eficiência na construção de uma jogada, qualidade na bola parada e uma escalação capaz de produzir vantagem mesmo com ausências e preservações. A análise completa ainda depende dos números finais da partida, mas o primeiro tempo encerrou com um Verdão coeso na marcação e ainda apresentando perigo, já que uma outra jogada bem preparada no ataque, com Sosa fazendo o pivô e Flco López carimbando a trave. Mas o segundo tempo promete um novo cenário para a equipe de Abel Ferreira.



